sexta-feira, 16 de março de 2012

Acidentes de trabalho matam quatro mil por ano no país, alerta sindicalista

   Quase quatro mil pessoas morrem no Brasil por ano em acidentes de trabalho, e a maior parte das vítimas são jovens entre 25 e 29 anos. O alerta é do coordenador nacional do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), José Augusto da Silva Filho, que participou de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, na manhã desta quinta-feira (15), para tratar da segurança dos trabalhadores brasileiros.
   Segundo ele, a classe trabalhadora no país ainda é ameaçada pela flexibilização da legislação trabalhista, pelo desrespeito às leis e pela falta de estrutura do Ministério do Trabalho, que não fiscaliza as empresas como deveria.
– O resultado deste quadro é que os acidentes laborais custam R$ 32 bilhões por ano aos cofres públicos. A prevenção ainda é a forma mais importante para se evitar prejuízos e incapacitação, mas o governo não tem investido mais em grandes campanhas nacionais de conscientização – lamentou.
   José Augusto da Silva Filho aproveitou para advertir os sindicatos sobre a importância de se investir em cursos de capacitação e formação para seus quadros. Além disso, ele defendeu a criação de departamentos especializados, a elaboração de estudos e pesquisas e a contratação de consultorias.
– Não basta ficarmos só reclamando dos patrões. Temos que fazer a nossa parte também. Sem gente qualificada, como vamos nos sentar à mesa para negociar? Existem assessores jurídicos e contábeis para todo lado; por que os sindicatos não contratam assessores em segurança e em saúde no trabalho? – indagou.

Dois mil acidentes por dia

   A audiência pública foi presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que levou aos convidados mais números da área. Conforme dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho do Ministério da Previdência Social apresentados pelo senador, em 2010, ocorreram 701 mil acidentes de trabalho no Brasil, uma média de quase dois mil por dia. Em 2009, foram 733 mil; e em 2008, 755 mil.
As estatísticas, no entanto, são subestimadas, alerta o representante da Nova Central Sindical (NCS), Luiz Antônio Festino. Ele explicou que muitos casos não chegam ao conhecimento dos ministérios do Trabalho, da Saúde e da Previdência Social; e, além disso, os dados oficiais não incluem os servidores públicos, os militares e os trabalhadores que estão na informalidade.


Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Para garantir a qualidade de vida do trabalhador, instalações para permanência de funcionários no canteiro devem seguir exigências da NR 18

Reportagem: Romário Ferreira
Revista Equipe de Obra



Sempre que houver necessidade, como no caso de obras afastadas dos centros urbanos, as construtoras devem instalar alojamentos provisórios nos canteiros para a permanência dos funcionários. Essa é uma exigência da Norma Regulamentadora no 18 (NR 18). Esses locais devem ser de boa qualidade para garantir a saúde dos funcionários e, consequentemente, o bom andamento da construção.
De acordo com a NR 18, um alojamento considerado bom deve ter abastecimento de água potável, luz natural e/ou artificial, sistema higiênico e remoção de lixo, ausência de umidade, instalações elétricas protegidas, proteção contra ruído excessivo, entre outras características. Caso essas exigências não sejam cumpridas, a construtora pode ser multada.
Já para os trabalhadores que não estão alojados no canteiro, é obrigatória a construção de vestiários. As instalações devem estar próximas aos alojamentos ou à entrada da obra, sem ligação direta com o refeitório, e os armários devem ser individuais e possuir cadeados ou fechaduras. É aconselhável também que os armários sejam metálicos, como os usados em clubes, escolas ou academias.
A coordenadora de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional da construtora Racional, Maria Aparecida Pantarolli, explica que os vestiários devem ser planejados de acordo com o número de funcionários previsto na obra. É importante lembrar que cada fase da obra tem uma quantidade diferente de funcionários. Por isso, pode ser necessário redimensionar o tamanho do vestiário conforme a obra avança. Ela relata também que “os vestiários da Racional têm área mínima de 2 m² para cada usuário, os pisos são de concreto, cimentado, os armários são individuais com cadeado e o pé-direito varia entre 2,70 m e 3 m”.


Veja a reportagem na Integra Clicando Aqui

Não seja cabeça dura!

Ilustração: Tiburcio

fonte: http://www.equipedeobra.com.br

Conheça a profissão de Técnico em Segurança do Trabalho

Marcelo ScandaroliNome :Jemerson Assunção Lima

Idade: 49
Onde nasceu: Recife (PE)
Onde mora: bairro do Tatuapé, em São Paulo
Função: Técnico de Segurança no Trabalho
Onde trabalha: Setin Engenharia
Como aprendeu a profissão?Quando me formei em enfermagem, pela Faculdade São Camilo, um médico colega do hospital me indicou para uma vaga provisória de três meses na Indústria de Papel Simão como ajudante de médico do trabalho. Acabei gostando da função e fiz o curso técnico na Cruz Vermelha Brasileira.
Há quanto tempo exerce a profissão?Formei-me em 1985. Na época era obrigatório estágio de 420 horas sem remuneração. Como eu já atuava na área da saúde, outro colega médico do trabalho me indicou para estagiar na antiga Encol. Naquele tempo, quase não havia técnicos no mercado de trabalho, então conciliava com a profissão de enfermeiro até conseguir atuar em diversas construtoras.
Qual o maior desafio que enfrentou na profissão?
Fui convidado para trabalhar na construção da ponte Estaiada, em São Paulo. Embora eu já tivesse atuado em grandes canteiros, senti muita dificuldade de implementar o planejamento de prevenção desenhado para aquela obra em termos de proteção, de treinamento e de realizar as integrações de segurança.
É uma profissão perigosa?
O trabalhador enfrenta diversos riscos na execução. Já o técnico de segurança enfrenta todos os riscos por ter que acompanhar o trabalho a ser executado. É ele quem orienta que tipo de EPI deve ser usado, quais são os procedimentos de segurança do local e como se prevenir de acidentes.
Além disso, temos responsabilidade civil e criminal sobre tudo o que acontece no canteiro em termos de acidente e doenças do trabalho. Por isso, mesmo quando encontro dificuldade ou resistência em implementar uma medida preventiva, preciso ter todos os procedimentos documentados em relatórios.
Como é a rotina de trabalho?
O técnico de segurança no trabalho tem que estar cedo no canteiro. Às 7h15 inicio minhas atividades com o DDS (Diálogo Diário de Segurança), um bate-papo informal sobre um tema que eu escolho para o dia. Depois, é preciso dar atenção aos prestadores de serviços, integrando-os ao canteiro e explicando a rotina, as normas e procedimentos daquela obra para poder realizar a liberação do serviço e a verificação de quais equipamentos serão utilizados, bem como o isolamento das áreas de risco. Ao longo do dia, o técnico vai acompanhando as fases da obra com o objetivo de preservar a segurança dos trabalhadores. Além disso, fazemos treinamentos mensais ou de acordo com a NR-18 para divulgar as manutenções preventivas.
O que é preciso para ser um bom profissional?
O técnico de segurança precisa ter em mente que todo acidente pode ser evitado, e quando falamos em doenças, é preciso saber informar e conhecer os riscos de contaminação. Ele é um prevencionista e tem que atuar com foco na preservação da integridade física dos trabalhadores. Para conseguir um bom desempenho no trabalho é preciso bom senso, grande poder de convencimento e flexibilidade para lidar com os trabalhadores do canteiro, com a gerência e com a direção.



Características da função

O que faz o técnico de segurança no trabalho - planeja e acompanha as práticas de prevenção de acidentes e orienta sobre os riscos de doenças no ambiente de trabalho.

Em que etapa da obra ele entra - no estágio inicial ou na época de planejamento do programa de segurança exigido pela legislação.

Formação - é necessário ter formação técnica e registro no Ministério do Trabalho. O profissional pode optar em realizar o curso no ensino médio técnico com duração de três anos ou no curso técnico com duração de dois anos.

Quais as responsabilidades do profissional na obra - ele tem a responsabilidade de orientar e documentar se as atividades no canteiro estão conforme a norma NR-4 - "Serviços Especializados de Engenharia, Segurança e Medicina do Trabalho". Por isso atuará na inspeção das instalações e dos equipamentos de segurança da empresa; vai fiscalizar as condições de trabalho; elaborar relatórios com propostas de prevenção e apresentar as estatísticas de acidentes, além de instruir os funcionários sobre as normas de segurança e combate a incêndios.

Que técnica esse profissional deve dominar - precisa ter habilidade em gestão de riscos, assumir a direção e controle de processos de acompanhamento de mão-de-obra, vistoria de máquinas e equipamentos, metodologia de trabalho e riscos no meio ambiente e áreas internas do canteiro.

Como está o mercado - atualmente faltam profissionais habilitados e experientes. A empregabilidade muitas vezes é difícil, pois trata-se de um cargo de confiança. Em termos salariais, a categoria possui piso regulamentado de cerca de R$ 1.800,00.

Onde o técnico de segurança pode trabalhar - em canteiro de obra e na indústria.

domingo, 11 de março de 2012

Estresse no Trabalho


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Por: Valdeci T. Ribeiro - Técnico em Segurança do Trabalho.
Trabalhar não mata - o que pode matar é o trabalho de má qualidade. O trabalho de má qualidade começa com uma noite mal dormida, com um ambiente desorganizado, com a falta de gosto pelo que se faz e principalmente por ter feito as escolhas erradas. Para saber se você fez a escolha correta na profissão que está exercendo, responda as perguntas abaixo:





- Eu gosto do que faço?

- Eu sinto prazer em estar no local de trabalho?
- Eu reclamo do meu salário o tempo todo?
- Eu não gosto do meu chefe?
- Eu Falo mal da empresa pra todo mundo?
- Eu levo os problemas do trabalho pra casa e brigo com a minha família?
- Eu tenho vontade de largar tudo no meio do expediente e sair correndo?






Se você respondeu afirmativamente alguma das questões acima, está na hora de uma reflexão - pode não ser o que você faz, nem o local de trabalho, o salário, o seu chefe, os colegas ou os problemas do dia-a-dia da profissão, mas o resultado de escolhas erradas. O emprego tem que trazer satisfação e bem-estar pessoal. Se você trabalha muito e ainda assim o emprego te traz alegria, todas as outras coisas são irrelevantes ou administrávei.

Se o emprego acarreta aborrecimentos, está na hora de mudar, mesmo que isso signifique ganhar menos, pois a insatisfação pessoal no trabalho pode provocar estresse e o estresse pode levar a vários problemas de saúde.
Muitas doenças ocupacionais estão ligadas ao estresse do trabalhador – permanecer em um ambiente de trabalho com irritabilidade e tensões muito altas pode desencadear doenças. Será que valeria a pena manter-se no emprego mesmo a contragosto, só porque o salário á alto? Eu acredito que não! Os riscos para a saúde a longo prazo são grandes.
Eu estou tratando essa questão de uma forma bem minimalista, poderia discorrer mais, entretanto, ser simplista às vezes pode ser a melhor forma de atingir um objetivo. O que eu quero deixar claro é que podemos administrar a nossa vida de maneira objetiva e a objetividade tende a ser simples.
Pense nisso!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Má conservação de equipamentos gera micoses em trabalhadores de limpeza

Informe Ensp
Trabalhadores de serviço de limpeza estão expostos a diversos riscos químicos, físicos e biológicos. Um estudo realizado pela coordenadora do Serviço de Dermatologia Ocupacional do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), a dermatologista Maria das Graças Mota Melo, conclui que a exposição constante à umidade, tanto em decorrência do contato com água, quanto pela utilização de luvas e botas por tempo prolongado, está relacionada a grande numero de casos de micoses cutâneas em trabalhadores que atuam em serviços de limpeza.

A pesquisa foi feita por meio de um estudo retrospectivo, pela análise de prontuários dos trabalhadores do serviço de limpeza de uma empresa atendidos no Serviço de Dermatologia Ocupacional, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2007. Foram adotados um questionário padronizado e exame da pele, unhas e cabelos de todos os pacientes, além da solicitação de exame micológico direto e cultura para fungos em caso de lesão sugestiva de micose cutânea.

"Foram avaliados 189 trabalhadores e 86 (76 mulheres e 10 homens) apresentavam diagnóstico clínico de micose cutânea. Dessa forma, solicitamos exame micológico direto e cultivo de amostras de pele e/ou unhas desses pacientes. Em 53 casos foi possível a confirmação micológica", confirmou Graça. Ainda de acordo com a dermatologista, os locais mais frequentemente acometidos foram as unhas das mãos e/ou pés (66 casos), entre os dedos dos pés (23 casos) e região plantar (13 casos), sendo que um mesmo indivíduo podia apresentar mais de uma lesão.

A pesquisa alerta para a necessidade de inclusão, por parte das empresas, de medidas de promoção da saúde para o trabalhador que incluam os aspectos relacionados as micoses. Para Graça, deve ser incluída a inspeção dermatológica, com vistas à detecção de alterações micóticas no exame admissional e periódico do trabalhador. Além disso, não deve ser permitido que ele tenha contato direto com produtos irritantes, alergênicos e com a umidade.

"As instituições devem promover ações educativas voltadas para os trabalhadores, apresentando os riscos a que estão expostos, e um alerta sobre a procura de atendimento médico tão logo surja sinal de dermatose. Também é preciso enfatizar a correta utilização e conservação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), pois recomendamos que evitem o uso de luvas e calçados de borracha por tempo prolongado. Os EPIs devem estar limpos e disponíveis a cada dia de trabalho e serem inspecionados periodicamente. Faz-se necessário, também utilização de meias que contribuíam para absorver a umidade", revelou. Participaram como co-autores do trabalho Luana Santos de Sant´Anna, Antônia Maria Gualberto dos Santos e Paulo Cezar Fialho Monteiro.


(Foto: Parlamento Europeu)
Publicado por Evandro Ferreira - http://ambienteacreano.blogspot.com/2009/08/trabalhadores-de-limpeza-e-conservacao.html

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mapas de Riscos

O Mapa de Risco foi criado através da Portaria n° 05 em 17/08/92 tratando da obrigatoriedade, por parte de todas as empresas, da "representação gráfica dos riscos existentes nos diversos locais de trabalho", e faz parte da NR-09.


O Mapa de riscos tem como objetivos:


  • reunir as informações necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação de segurança e saúde no trabalho na empresa;


  • possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e divulgação de informações entre os trabalhadores, bem como estimular sua participação nas atividades de prevenção.


Etapas de elaboração:


1. Conhecer o processo de trabalho no local analisado: os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e de segurança e saúde, jornada; os instrumentos e materiais de trabalho; as atividades exercidas; o ambiente.


2. Identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a classificação da Tabela I;


3. Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia. Medidas de proteção coletiva; medidas de organização do trabalho; medidas de proteção individual; medidas de higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, refeitório, área de lazer.


4. Identificar os indicadores de saúde:
queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos mesmos riscos;
acidentes de trabalho ocorridos;
doenças profissionais diagnosticadas;
causas mais frequentes de ausência ao trabalho.


5. Conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local;


6. Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando através de círculo:


· o grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada na Tabela I;


· o número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado dentro do círculo;


· a especificação do agente (por exemplo: químico - sílica, hexano, ácido clorídrico; ou ergonômico-repetitividade, ritmo excessivo) que deve ser anotada também dentro do círculo;


· a intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes de círculos.


Após discutido e aprovado pela CIPA, o Mapa de Riscos, completo ou setorial, deverá ser afixado em cada local analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os trabalhadores.


No caso das empresas da indústria da construção, o Mapa de Riscos do estabelecimento deverá ser realizado por etapa de execução dos serviços, devendo ser revisto sempre que um fato novo e superveniente modificar a situação de riscos estabelecida.

 


Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com a sua natureza e a padronização das cores correspondentes.


Exemplo de um mapa de Risco: